Eu raramente tenho saído do eixo 'Zona Oeste - Subúrbio'. Minhas atividades, desde o ano que comecei a trabalhar em Bangu e a estudar em Campo Grande estão concentradas por aqui mesmo... Eu até saía mais qdo o Sandro estava aqui, mas agora não tenho ido mais longe.
A beleza dessa cidade é indiscutível. Na Zona Sul, claro...
Ontem fui à inauguração da árvore de Natal da Lagoa. Foi lindo! Show de pirotecnia e a árvore é um espetáculo à parte! Mas não pude deixar de olhar fixamente para os prédios no entorno da Lagoa e pensar: Caramba, só os descendentes dos grandes Barões podem se dar ao luxo, literalmente, de desfrutar dessas moradias. Jamais alguém que trabalhe duro e 'melhore de vida' conseguirá comprar um metro quadrado ali. Os emergentes vão pra Barra da Tijuca, lugar que não tem 1/3 da beleza da Zona Sul carioca e que abriga as pessoas mais arrogantes dessa cidade. Vai entender...
Aí comecei a pensar um monte de coisa. Enquanto meus pais curtiam a beleza do espetáculo, meu olhar estava perdido e minha cabeça fervia enquanto tentava digerir um turbilhão de pensamentos simultâneos. Que tipo de vida eu teria aqui no Brasil? Tento imaginar (já certa de que vou viver no exterior) a minha carreira aqui, já que sou pobre e tenho amigos pobres, mesmo tendo diploma e sendo honesta. A resposta é muito simples: muito trabalho, pouco dinheiro. Uma vida medíocre pagando altos impostos e sem nenhum retorno justo. Uma casa financiada em 200 meses, um carro usado, assim como vivem muitos. E, olha, do jeito que a desigualdade é, viver nessas condições é algo considerado muito bom por aqui.
Só que para mim é pouco demais. Estou investindo muito pesado para aceitar isso. Eu quero conforto, um bom carro e cometer extravagâncias com meu dinheiro quando me der vontade. Eu vivi 25 anos e ainda não sei o que é isso. E me incomoda muito. Sabe essas cosias que parecem fúteis, mas que fazem toda a diferença quando a intenção é falar de 'qualidade de vida'? Deve ser muito bom entrar num restaurante bom e escolher o que quer comer, sem se preocupar com a conta; Ou então ir às compras e comprar o que de fato gostou na vitrine e não o que é mais barato... Trabalhar duro e no final de alguns meses se dar ao luxo de fazer uma viagem... Isso é frescura? Claro que não! Isso se chama VIVER! E é justamente isso que não faço. Eu não vivo, apenas sobrevivo. Perdi os melhores anos de minha juventude, onde se tem aquele tesão juvenil de se engolir o mundo por conta de limitações financeiras. Medo de trabalho eu não tenho e nunca tive. Tenho plena consciência de que nada virá facilmente pra mim, seja aqui ou em qualquer outro lugar... Mas, se for pra deixar o couro, que seja pra colher algo lá na frente. Quero moeda de troca e não mais ser escrava.